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o trompetista gago: :reuben


INÉRCIA

tarde                        chove seco

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

perco                                   tempo                             

 

             

 

 

tardo



Escrito por quem gritou foi o reuben da cu às 00h46
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ESTA É A PRIMEIRA PÁGINA-PARTE DO POEMA O TROMPETISTA GAGO

MASTIGADO PELA GAROTA A CARA DO JIM

Morrison, os olhos abissais

confundidos por holofotes de automóveis

e o porre das violetas amargas

mastigadas pela garota a cara do

 

Jim

 

Vândalos de pelúcia &

Exorcistas de pelica

percevejam totens de grafite e luminosos

vulgares, os

dedos embebidos

de sangue vencido e a

parabolia do contrabaixo

surdo às

palavras de sentido –

Quem, Cara,

nos olha assim tão

distraído?

 

Pedras de toque,

no meio do caminho eu vi

um palhaço alucinado esculpir anjos engasgados e leopardos de plumas

cenas do próximo episódio nas

sobrancelhas entediadas da atendente de sorriso inabalável, os dedos

recém-pintados de um

amarelo nunca visto

 

a MINHA VOZ É a DE UM TROMPETE SOBRE a pÁGINA-pIANO.

 

Dandara e o velho jogador

de damas riscam

os caninos da mariposa no ombro do rei

 

Lâmpadas chinesas sob a mesa em chamas,

Sol nenhum, Cara, nos livrará

assim, os dentes trincados

no corredor lotado das Musas

 

que beberam o mel do Arrependido

que louvaram bestas obesas e carrancas em pele de corça

que Aqui estiveram, e não estão

(...)

 

ps..:O poema inteiro foi escrito em três meses. São seis páginas. Numa mídia mais adequada eu publico inteiro. Talvez um dia role.



Escrito por quem gritou foi o reuben da cu às 17h38
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(A TRÉPLICA DO REUBEN DA CUNHA, no caso, eu mesmo, muito prazer:)

Não, querido Fabreu, não sou um desses modernosos que curtem os hits da hora. Você sabe disso sim, creio eu. E longe de mim a pentelhação de chover no molhado. Nada mais desagradável. Minha restrição ao tradicionalismo exacerbado do Harold Bloom, quando a cito, penso no que ela tem de necrofilia, e no peso que impõe aos ombros (alheios), por amor a um cânone, aliás, suspeito.
 
Quanto à necessidade de conservadores para "sacudir o sono onanista das castas acadêmicas", francamente, nem um nem outro. Por que, diante de uma praga, haveríamos de desejar outra, igualmente esterilizante?
 
Não entendi o quixotismo de Bloom nem sua suposta guerra perdida. Todo artista, muito mais que qualquer crítico, é, mais que um afirmador, a própria afirmação da individualidade, artística e humana. Harold Bloom, como crítico, só pode perceber verdadeiros Quixotes.
 
Sobre Machados e Saramagos, claro que não devem ser descartados. Nunca disse isso. Digo, sim, que é tão difícil elogiá-los quanto afirmar que a mulata brasileira (ou a ruiva ou a branquinha etc.) é linda. Não sei o que há de chique em citar autores semi-clandestinos. Principalmente se o indagado for um crítico de renome. Vai citar um desconhecido e correr o risco do erro de julgamento? Duvido. Mais fácil se agarrar ao sacrossanto cânone ocidental. E citar quem? O Nobel Saramago, o mais-que-louvado Pessoa. O "gênio" Machado. E com que autoridade eleger "100 (são 100 mesmo?) gênios"? Cânone é eleição, é pessoal, e não diz respeito apenas a qualidades literárias, mas a afinidades espirituais até. Há quem prefira Guimarães a Machado. Há quem não faça essa escolha. E de repente um é gênio e pronto?
 
O lance da influência? A quantidade de panelinhas literárias e rixas supostamente intelectuais (vide a mágoa pessoal do Gullar em relação aos imãos Campos, que ele bem disfarça de reflexão estética, por exemplo) não permite dúvidas quanto à humanidade dos escritores, no pior sentido. Mas não se trata disso. A questão é que Bloom raquitiza a literatura contemporânea, evidenciando sempre seu débito para com os "clássicos".
 
Pensando em dois possíveis sentidos da criação - a influência e a "superação" - mapear a "origem" (uma genealogia?) de uma obra é didaticamente interessante, principalmente para novos leitores, mas é insuficiente. Nenhum autor está livre de influências, mas insistir perpetuamente nelas é negar autonomia à obra, ignorar o novo, se o há.
 
Sinceramente não sinto pena por Harold Bloom não ter encontrado ainda um grande poeta brasileiro. Um sujeito que rejeita Edgar Allan Poe e exalta Hemingway (tudo bem, questão de escolha) talvez não vá encontrar muita coisa interessante por aqui. Além do mais, para um purista como Bloom deve ser difícil valorizar uma poesia tão impura como a nossa. Deve ser difícil entender a apropriação que um Ricardo Aleixo faz de culturas africanas. Ou o rock'n'roll num Ademir Assunção, lado a lado com o Oriente.
 
Quanto a Bloom ignorar ou não James Joyce, meu caro, eu me referi especificamente à obra Como e Por que ler. Sugestões de leitura duvidosas, com ar de absolutas. E, finalmente, quanto à qualidade do texto do crítico, já vi melhores. Parece aquele narrador dos velhos desenhos do Pateta. Só que sem o menor senso de humor.


Escrito por quem gritou foi o reuben da cu às 02h19
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A BABAQUICE DE HAROLD BLOOM e o que resultou dela

No blogue antigo publiquei um texto (zangado e desrespeitoso) sobre uma entrevista concedida pelo crítico Harold Bloom à revista Época. Meu texto foi solenemente ignorado pelos frequentadores da extinta Máquina Claustrofóbica. Mas o querido e valioso poeta Fernando Abreu me respondeu, polemista todo, num belo email/comentário de blogue. Penso que vale a pena e a leitura. Modéstia às favas, reflexões interessantes, de ambos os lados. Publico então os três textos, o meu primeiro, a réplica do Fabreu e minha tréplica. Se o caldo engrossar, publico mais capítulos.

A BABAQUICE DE HAROLD BLOOM (parte I)

ÉPOCA - O senhor cita Fernando Pessoa entre os grandes escritores no
Cânone Ocidental. Agora inclui Machado de Assis. Por que ele é gênio?

Bloom - Leio em português com certa fluência. Gosto muito de José
Saramago, somos bons amigos, embora eu não concorde com a posição
dele em relação à guerra contra o terrorismo. Ele é comunista,
respeito as idéias dele, mas não concordo. É um bom escritor. Em
poesia, a língua portuguesa legou Camões e Fernando Pessoa. Na
ficção, adoro Eça de Queirós e Machado de Assis. Considero Machado o
maior gênio da literatura brasileira do século XIX. Ele reúne os pré-
requisitos da genialidade: exuberância, concisão e uma visão irônica
ímpar do mundo. Procuro um grande poeta brasileiro vivo. Ainda não o
encontrei. Conheço Carlos Drummond de Andrade e ouvi falar de
Guimarães Rosa, que adoraria ler. Não sei se terei tempo.


Sempre tive muitas restrições à obra do Harold Bloom. A primeira delas, o tradicionalismo exacerbado. No Como e por que ler, por exemplo, ele simplesmente ignora as grandes revoluções literárias do século XX (Joyce e Cortázar, por exemplo), e sugere alguns autores norte-americanos no máximo razoáveis, como Hemingway. Parace que ele não gostou que explodissem a estrutura narrativa.

Outra coisa é a obsessão de Bloom pela "angústia da influência". Sempre a angústia dos outros, claro. Ele, que apesar de ter muita informação (a única coisa que realmente interessa em seus livros), escreve mal pra caramba, não tem angústia nenhuma, é de se supor. Bloom não consegue analisar um autor sem valorizar nele mais as influências que o que tem de original. Isso é um saco.

Mas é a referência à literatura luso-brasileira na entrevista concedida ao Luis Antônio Giron que mais me impressiona. Desde que li Como e por que ler tenho a forte impressão de que o apego de Bloom ao cânone consagradíssimo da literatura ocidental o impede de enxergar novas latitudes. Francamente, falar em Machado e Pessoa e Saramago é pura e simplesmente um CLICHÊ. Alguém que nunca leu nada na vida vai citar exatamente esses três autores, se precisar fingir que leu. E mais, quando ele diz que procura "um grande poeta brasileiro vivo", pelamordedeus, o que isso significa? De que métodos ele se utiliza para conhecer os grandes poetas contemporâneos brasileiros? Mais uma vez ele se finge de entendido, citando Carlos Drummond. E esquece João Cabral, cuja influência é infinitamente maior que a de Drummond na poesia posterior. Pelo menos na boa poesia posterior.

Quer dizer, parece aquele gringo que diz "ah, mulatas do brasil serem lindas!".

(A RÉPLICA DO FERNANDO ABREU:)

Reuben meu compadre,

Ter restrições a Harold Bloom por considerá-lo conservador é chover no molhado, e não creio que você no fundo seja desses que exigem crachá de pós-tudo do sujeito na entrada do baile, dessa turma esnobe que comemora Bloomsday no Brasil. Não creio que seja. Não seja!

Uma. Harold Bloom é um conservador, óbvio, mas de quantos conservadores como ele precisamos para sacudir o sono onanista das castas acadêmicas, mesmo as que se disfarçam sob a pele de lobo da inconoclastia marqueteira?

Harold Bloom é o Dom Quixote da era pós-industrial, lutando sua guerra perdida pela afirmação da individualidade artística sobre todas as tendências, escolas, modismos e ideologias.

Outra. Acho equivocado achar que, por serem os mais conhecidos fora dos círculos iniciáticos da literatura, Machado de Assis, Fernando Pessoa e José Saramago devam ser descartados. É verdade que é muito mais chique citar uma autor semi-clandestino ou ininteligível, confere status e singularidade ao leitor. Mas aqui estamos no terreno da honestidade intelectual, onde Bloom circula bem à vontade. Pode-se discordar de seus critérios, mas nunca acusá-lo de superficialismo.

O lance da angústia, por exemplo. Vejo com reservas o impulso de superação como motor da criação literária. Mas isso talvez seja porque de certa forma nos acostumamos a idealizar poetas e escritores, colocando-os a salvo da competitividade desenfreada que marca a atividade humana em todos os campos. Pois Bloom vem e diz que ninguém é mais competitivo do poetas e escritores, daí a angústia. Porra, isso me choca a princípio, mas é demasiadamente humano para ser papo furado.

De todo modo, você não está sozinho, em sua repulsa à “angústia da influência”. Seu maior aliado é o presidente da Academia Brasileira de Letras, o poeta Ivan Junqueira, que classifica de cabotinismo a teoria bloomsiana. Gosto dos dois, mas fico com Bloom.

Acho uma pena que o crítico não tenha encontrado um grande poeta brasileiro vivo. Ainda. Mas é claro que eles existem (não às pencas, é verdade), e ele vai acabar encontrando. Dá um tempo, meu, o cara aprendeu português para ler o negão Machado de Assis (olha o politicamente correto aí, gente), o que já me deixa honrado. Acho que ele gostará de João Cabral, Ferreira Gullar e Guimarães Rosa, Jorge de Lima, entre outros.

Finalmente, de onde você tirou que Bloom ignora James Joyce? De jeito nenhum. No livro “Gênio – os 100 autores mais criativos da história da literatura”, Bloom começa assim o capítulo dedicado a James Joyce: “Definir o gênio de James Joyce é tarefa impossível: quem pode definir o gênio de Shakespeare, Dante, Chaucer ou Cervantes? Podemos falar dos gênios de Joyce, mas isso tampouco será de grande valia. Derek Attridge observa, com sensatez, que as pessoas liam Joyce sem se dar conta da sua genialidade, pois todos os gêneros e a mídia moderna são quase tão joycianos quanto shakesperianos”.

Ora, sabendo-se da posição central atribuída por Bloom a Shakespeare na literatura ocidental, a frase final é uma afirmação peremptória da permanência de Joyce na cultura contemporânea, mas não apenas na alta cultura - na cultura de massas mesmo,. Não é massa?

PS - Quanto a escrever mal pra caramba, francamente, meu caro, menos. Pensar com profundidade e expressar com clareza não é pra todo mundo.



Escrito por quem gritou foi o reuben da cu às 02h09
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