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o trompetista gago: :reuben


Esse é um artigo que nunca terminei de escrever. Agora, relendo-o (nem reli todo, nem sei se concordo com tudo), penso: e por que é que todo artigo tem que terminar? Mania dialética idiota. E será que alguém aí adivinha quem é Paul?

Obrigado, Paul 

tudo/ que/ li/ me/ irrita/ quando/ ouço/ rita/ lee (Paulo Leminski)

 

O século XX fez um bem danado à poesia. Sujou os pés de todos com a cultura de massa. Mozart no disco, sons de buzina na partitura. Sujou os pés da poesia também. Tudo bem, Rimbaud chegou antes e a poesia sempre foi meio puta. Tem lá suas musas, sem falar naqueles caras da língua morta, mas é meio puta sim. Das mais mal pagas e generosas. Mas o século XX enriqueceu seu repertório. Jogou mais lama no terreno.

 

Século XX, cultura de massa. Indústria Cultural. No princípio era o precipício. Aaaaaaaaaahhhhhhh mataram a arte, nunca mais músicas sem refrão, nada durará mais que três minutos e meio. Aaaaaaaaaaaaaaahhhhhh nunca mais o cinema depois da TV, imagine os livros, a internet os castigará. Depois do desespero, o coice. Quando os artistas se derem conta das novas mídias vocês vão ver. Frank Zappa depois diria, usar as armas da sociedade doente contra ela mesma. E aí apareceram os Beatles, o Todd McFarlane, o Chaplin. Muitos outros também. Quer dizer, assim que a técnica deixou de ser exclusividade dos moneymakers e foi parar nas mãos dos Meninos Perdidos, deu pra perceber a quantidade de novos suportes que, embora construídos para serem engessados em fórmulas mass maçantes, enlouqueceriam nas mãos dos artistas.

 

Há quem desconfie do tom otimista. E para longe daqui o otimismo, o BBB segue inabalável, salve Itamar, porcaria na cultura tanto bate até que. A Máquina Claustrofóbica do Ocidente nunca esteve para brincadeira. Sempre pegou pesado com os dissidentes, transmutando rebeldia em grife, criando necessidades, reciclando hábitos, ditando o gosto. O erro do pessimismo é não perceber que a tecnologia é como o velho saco de estopa. O resto você já sabe.

 

Veja bem: a era da comunicação de massa chega para permitir uma infinidade de fenômenos culturais únicos. Dentre eles, a própria reprodutibilidade técnica.

 

Parêntese: aura, meu caro, é cultural também. Fecha parêntese.

 

Comunicação de massa é amplificação. Já parou pra pensar no que o microfone representa? Cultura de massa é hibridização. E o sistema é mal, mas não é perfeito. Impossível, em algum nível, não democratizar a tecnologia. Ainda que oficialmente a comunicação de massa seja um enorme e autoritário monólogo, e a oficial hibridização uma estratégia de dominação cultural, Hendrix e tantos párias seguraram firme o microfone; Leminski e tantos tantos lamberam, com a língua portuguesa, outras pátrias-mães. E lambem.

 

(continua abaixo, porque o Uol é fresco)



Escrito por quem gritou foi o reuben da cu às 00h13
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A hibridização é a grande fonte da poesia no século XX, em dois sentidos, pelo menos. O cultural e o técnico.

Cultural: arregaçar as fronteiras geográficas. O indivíduo não cabe mais nelas. O século XX é o século das referências múltiplas. Se nos filmes de Hollywood outras culturas são apresentadas vestidas em estereótipos bizarros, na poesia elas aparecem professoras (porque trazem novas possibilidades estéticas) e amantes (porque corpos fundidos ao corpo da nossa língua). E isso não é um caminho estético apenas. É a situação do habitante destas eras, alvo e flecha de mídias e miragens mil.

 

Por isso estamos todos de pés sujos. Impossível manter a polidez e a assepsia diante dos luminosos, das HQ’s, do rock’n’roll. Só se for polidez tumular, assepsia de casa abandonada.

 

O mordomo Alfred conta, em Batman – O cavaleiro das trevas (Frank Miller), que lia Edgar Allan Poe para o jovem Bruce Wayne. Haroldo de Campos transcriou Jimi Hendrix. Jim Morrison é Rimbaud e Artaud num palco de rock. Cores e traços de William Borroughs ilustram o disco NYC ghosts & flowers, do Sonic Youth. Falar em “alta” e “baixa” cultura se torna perigoso. Os artistas se apropriaram dos códigos da Indústria, e a cultura de massa não significa mais, necessariamente, a cultura-sabão justamente demonizada por certos apocalípticos.

 

Cultura de massa, num sentido nada pejorativo, é então essa amplificação absurda dos fenômenos culturais, possível a partir do século XX. Amplificação de público, de repertório e de suportes.

 

Técnico: arregaçar as fronteiras do texto. Não, o livro não vai morrer. Pelo menos não por causa disso. Mas aqui na cultura de massa a palavra encontra novos suportes. O vídeo, a animação gráfica, o spray, o CD. As linguagens se interpenetram, e o texto, mesmo no papel, está carregado de novas informações visuais e sonoras.

 

Aí os popcretos e poemóbiles de Augusto de Campos radicalizam a visualidade do poema, e você pode até não acreditar em clip-poemas e holopoemas, matrimônio entre a poesia e a informática, pero que los hay, los hay.

 

(continuaria)



Escrito por quem gritou foi o reuben da cu às 00h12
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noite dentro da noite

o violino de um grilo

espera o aplauso, tranqüilo



Escrito por quem gritou foi o reuben da cu às 11h22
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