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| o trompetista gago: :reuben |
flor na lapela da miséria

Não faço idéia de como conheci a poesia de Douglas Diegues. Isso é o de menos, claro. Nascido no Rio de Janeiro, Douglas foi parar em Ponta Porã, fronteira do Brasil com o Paraguai. Daí que sua poesia é escrita numa delirante mistura de português, espanhol e guarani.
Seu segundo livro, Uma flor na solapa da miséria, saiu pela editora argentina Eloísa Cartonera. Já nasceu raro: são apenas 50 exemplares, cada exemplar é único. As capas são feitas de papelão, transformado em capas de livro por catadores de lixo.
Acontece que hoje eu recebi um exemplar do Uma flor. Acompanhado do n° 0 (na verdade, 'ano zero - número nada') da revista que Douglas edita no Mato Grosso do Sul, Ontem choveu no futuro. Foi bem inesperado. Há meses fiz uma entrevista com o poeta, que disse que me enviaria a revista. Mas o livro? Fico feliz de ser uma das 50 pessoas que o possuem. Douglas encara a poesia como poucos: com tesão, amor e compromisso. E não faz concessões. Tem um pensamento radical e uma postura idem. E não falo isso por ter me emocionado. Basta ler isso aí:
U cara puede ser viadu, beibi, puodi gostar di dar u cu, di comer cu, di chupar pau. U cara poede ser macho, beibi, curtir só ninfeta, unibersitária, dondoca, minina bunita. U cara puede ser un travesti birgen. U cara puode ser negro, careca, nordestino, pele bermelha, jornalista, cara-pálida, poeta, escritor, doutor, crítico literário. U cara puode enxergar longe, U cara pode ser cego. U cara puode ser polizia. U cara puode ser bandidu. U cara puede ser dolce. U cara pode ser vaqueiro, yagunço, anta, quadrado. U cara pode ser redondo, verde, atrasadu. U cara pode ser amável. U cara pode ser fora di moda. U cara pode ser o que ele quiser, beibi. Só non pode ser bundom, beibi, só nom podi ser culón.
Escrito por quem gritou foi o reuben às 20h33
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